A ORDEM ROSACRUZ
A nível dos mundos suprafísicos, existem sete Escolas de Mistérios
Menores e cinco Escolas de Mistérios Maiores, agrupadas em torno do Libertador.
Cada escola iniciática emite a sua própria nota-chave e quando o aspirante à
vida superior encontra aquela com a qual está em uníssono, vê as suas portas
abrirem-se, quaisquer que sejam as dificuldades e obstáculos que possam haver.
A Ordem Rosacruz é uma das escolas de Mistérios Menores,
de índole ocidentalista, e é simbolicamente referida como sendo constituída
por doze mais um Irmãos, todos eles detentores da mais elevada Iniciação. A
sua missão é elevar espiritualmente o ser humano através do desenvolvimento
harmonioso da via ocultista e da via mística, para o que exerce a sua acção
quer nos planos espirituais, quer no físico.
Sete Irmãos vêm ao mundo material sempre que as circunstâncias o
requeiram, aparecendo como pessoas vulgares, exercendo profissões ou
actividades vulgares, nada havendo que os distinga dos outros homens a não ser
um comportamento exemplar e uma inteligência e cultura acima do normal. Actuam
nos seus corpos visíveis e invisíveis, mas nunca influenciam quem quer que
seja contra a sua vontade ou os seus desejos; limitam-se a fortalecer o Bem onde
o encontram.
Cinco Irmãos nunca abandonam o Templo da Rosa Cruz, uma construção etérica,
invisível, portanto, e que envolve uma casa física, tipo senhorial, situada
numa região da Boémia. Estes Irmãos, embora possuam corpos físicos, executam
o seu trabalho nos mundos espirituais.
O Décimo Terceiro está oculto do mundo externo pelos Doze Irmãos, tal
como doze esferas são as necessárias para cobrir e ocultar uma décima
terceira. É o Chefe da Ordem e adoptou o nome simbólico de Cristão Rosacruz,
ou, como é mais vulgarmente citado, Christian Rosenkreuz. É o elo de ligação
com o Conselho Superior Central, constituído pelos Hierofantes dos Mistérios
Maiores.
Estão ligados à Ordem Rosacruz diversos homens e mulheres que levam uma
vida normal mas que foram iniciados num grau mais ou menos elevado por um dos
Irmãos, e que continuam a ser por ele instruídos; são os Irmãos Leigos,
assim chamados para os distinguir dos outros que, por esta razão, se denominam
Irmãos Maiores.
Christian Rosenkreuz
Uma breve história
Christian Rosenkreuz, nome simbólico do fundador da Ordem
Rosacruz, nasceu em 1378, na Turíngia, Alemanha, no seio da família
aristocrata Von Roesgen Germelshausen.
A Europa conhecia, então, os horrores das perseguições
religiosas que se seguiram à sangrenta cruzada contra os Albigenses. Em 1382,
as tropas papais cercaram a residência senhorial dos Germelshausen,
considerados hereges por se constar terem sido iniciados nos antigos mistérios
germânicos. A resistência oferecida não foi suficiente para deter os
sitiantes, que acabaram por conquistar o castelo, massacrar, com requintes de
crueldade, todos os seus habitantes, mesmo os servos mais humildes, e destruir
todas as construções, não deixando pedra sobre pedra.
Porém, o jovem Christian
conseguiu escapar, graças ao seu preceptor, um monge que pertencia a um
mosteiro situado nas proximidades e onde havia alguns religiosos que, em
segredo, seguiam os ideais cátaros; profundo conhecedor da região, o monge
iludiu a vigilância dos sitiantes e pôde levar o seu pequeno pupilo para o
mosteiro, onde ficou em segurança.
Foi, pois, num ambiente monástico, austero e duro, que
Christian foi criado e pôde desenvolver as suas extraordinárias faculdades,
alcançando uma cultura brilhante em todos os domínios, nomeadamente no da
filosofia, religião, línguas e literatura clássicas e ciências da natureza.
À sua volta formou-se um pequeno grupo de quatro monges, incluindo o seu
mestre, que prometeram fazer uma peregrinação ao Santo Sepulcro.
Assim, em 1393, Christian e os seus companheiros partiram
para a Terra Santa, viajando separadamente para não despertar a curiosidade dos
atentos e desconfiados agentes da poderosa Inquisição. Em Chipre, o
companheiro de Christian faleceu e o jovem, apesar dos seus quinze anos,
prosseguiu a viagem sozinho em direcção a Damasco, de onde tencionava partir
para Jerusalém. O cansaço, porém, obrigou-o a prolongar a sua estadia nesta
cidade, onde conquistou o favor dos turcos com os seus conhecimentos médicos.
Tendo ouvido falar dos sábios de Damcar, optou por se dirigir a esta cidade,
onde foi acolhido, não como um estrangeiro, mas como alguém há muito esperado
e de quem se sabia o nome. Aqui, onde permaneceu de 1394 a 1397, Christian
aperfeiçoou o seu conhecimento da língua árabe, tendo traduzido para latim o
Livro M , e estudou física e matemática.
Atravessando o golfo Arábico, chegou ao Egipto e daqui
prosseguiu para Fez, onde contactou os elementais, ou espíritos da natureza,
que lhe confiaram muitos dos seus segredos. Dois anos depois partiu para
Espanha, onde contactou os Alumbrados, ou Iluminados, os quais, embora
perfilhassem a mesma ideologia dos primitivos cristãos, acharam os seus pontos
de vista excessivamente avançados, pelo que se escusaram a prestar-lhe o apoio
necessário ao cumprimento da sua missão.
Christian decidiu, então, regressar ao seu velho mosteiro
da Turíngia, onde encontrou os outros três monges que tinham iniciado a
peregrinação à Terra Santa, com os quais estabeleceu o primeiro núcleo da
futura Ordem Rosacruz O trabalho, porém, era excessivo, nomeadamente o da cura
de doentes, pelo que houve que escolher novos membros até serem 13, número
que jamais poderia ser ultrapassado. Entretanto, Christian e os seus
companheiros erigiram o Templo do Espírito Santo, uma construção etérea,
acessível, apenas, aos iniciados, situado não muito longe do velho castelo
onde nascera.
Em 1459 Christian atingiu a cristificação, e em 1484
faleceu.
O seu túmulo, descoberto, apenas, em 1604, era uma
estranha construção abobadada, com sete lados, cada um com oito pés de altura
e sete de comprimento, iluminada por um sol feito segundo o verdadeiro astro. O
acesso fazia-se por uma porta secreta, em cujo topo, curiosamente, se lia
"Eu me abrirei dentro de 120 anos". No centro erguia-se um altar cilíndrico
com um círculo a servir de bordadura.
O centro luminoso do teto era divido em triângulos, as
paredes subdivididas em dez campos quadrangulares e o chão subdividido em triângulos.
Cada parede ocultava uma porta que escondia um cofre onde se encontravam
diversos objectos, nomeadamente os livros, espelhos de múltiplas propriedades,
campainhas, lâmpadas acesas , etc.
O altar escondia uma espessa placa de cobre; ao ser
levantada, revelou o corpo de Christian Rosenkreuz perfeitamente intacto e sem o
menor vestígio de decomposição, repousando sobre um leito e segurando na mão
um pequeno livro, em pergaminho e letras de ouro, o livro T, depois da Bíblia,
o nosso tesouro mais precioso..
As suas encarnações
A primeira encarnação conhecida foi como Hiram Abiff, o célebre
artífice do Templo de Salomão e que a lenda maçónica diz ter sido o seu
verdadeiro construtor; a segunda foi
como Lázaro, o homem de Betânia que Cristo ressuscitou
Tendo em vista a sua missão, esteve reencarnado no século
XIII durante um curto espaço de tempo, a fim de ser preparado pelo Colégio dos
Doze Sábios, um misterioso repositório de toda a sabedoria do passado e de
toda a ciência do seu tempo, a que Goethe faz uma velada alusão em "Die
Geheimnisse".
Depois da criação da Ordem Rosacruz, esteve encarnado
algumas vezes, a última das quais nos meados do século XIX, princípios do XX,
como um Rákóczy, da velha família aristocrata da Hungria.