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Música e Meditação Solar:
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De 23 de Novembro a 22 de Dezembro o Sol cruzará o signo SAGITÁRIO. Todos os signos têm duas faces distintas, onde, pela evolução, a nossa luz e as nossas sombras travam a sua luta para aspirar ao equilíbrio perfeito, a oitavas superiores. Em todo o zodíaco, é talvez neste signo que se verifica, com mais objectividade, o seu lado divino – representado pela aspiração, pensamento expansivo e por fim a acção arremessando a flecha rumo aos céus; e o aspecto mais negativo, manifestado pelo lado animal do centauro que querendo dar força à natureza inferior, pode levar o ser humano a condutas prejudiciais. Aqui também se esconde o significado (onde, às vezes, passamos desatentos) do sentido de um Júpiter, regente natural do signo, em aspecto tenso num horóscopo. Concordamos com Elman Bacher quando se refere a excessos jupiterianos como os menos maus! Todavia, questões como fanatismo, orgulho, culto da personalidade e outros, estão relacionados com um Júpiter em tensão com Marte ou com o Sol, se outros aspectos reforçarem, dependendo, é claro, do nível evolutivo de cada um, factor a ter muito em conta.

Ainda sobre a acentuação da dualidade no signo SAGITÁRIO, no mito do centauro estes se repartem em duas famílias: os filhos de Ixíon que simbolizam a força bruta, insensata e cega; e os filhos de Fílira e de Cronos (dos quais Quíron, curador, é o mais célebre) que representam a força aliada à bondade. (Dicionário dos Símbolos, J. Chevalier e Alain Gheerbrant).

Palavras-chave básicas– aspiração, filosofia, religião; positivas – idealismo filantropia; negativas – dogmatismo, fanatismo, intolerância.

Como referimos no número anterior, mais palavras – algumas colhidas em publicações de Paulo Cardoso - podem ser referidas ajudando a compreender e a caracterizar este signo, já que nos expressamos, neste caso, por palavras faladas e escritas. Eis algumas:

Amplo, aperfeiçoar, atleta, cavaleiro, crença, dissertar, doutrina, educação, emblema, emissário, ensino, épico, especulação, estrangeiro, exaltação, expedição, flecha, fronteira, galardão, generosidade, ideal, inspirar, invocação, jovialidade, jurisprudência, lema, mensageiro, optimismo, ousadia, peregrino, presságio, promotor, púlpito, retórica, sacerdote, sacro, sermão, símbolo, triunfo, viagem, visionário, zelar.

Vários compositores nasceram sob o signo solar Sagitário: H. Berlioz, a 11-12-1803, autor da conhecida Sinfonia Fantástica (toda ela uma exaltação jupiteriana), da Marcha dos Peregrinos – evocação de uma procissão de peregrinos no campo, e de A Infância de Cristo. Manuel de Falla, nascido a 23 de Novembro de 1876, autor da Dança Ritual do Fogo, sendo considerado o compositor mais representativo de Espanha, país este, curiosamente, regido pelo signo Sagitário! César Franck, nascido a 10-12—1822, autor da formosa melodia Panis Angelicus; Olivier Messiaen, nascido a 10-12-1908, é um dos compositores que mais marcaram o século XX, e que mais discípulos fez na segunda metade. A sua música, de ambiente harmónico e composicional característico de um tempo entre duas guerras mundiais, é repassada de um grande fervor religioso. Uma das suas obras mais importantes é, sem dúvida, o Quarteto para o Fim dos Tempos, onde destacamos (para meditação) as partes 5 e 8, respectivamente, Louvor à Eternidade de Jesus e Louvor à Imortalidade de Jesus.

  

Lembrando o que foi dito no número anterior, e também quanto a datas de nascimento de compositores (às vezes incertas), é muito natural um músico expressar (pelo ascendente e planetas) características de um signo que não o solar. De qualquer modo, o seu horóscopo correcto revelará a natureza da sua obra. É o caso de Edward Elgar, nascido a 2-6-1857. Não sabemos o seu ascendente mas, pelo dia, Sol, Marte e Mercúrio estão conjuntos no signo Gémeos (oposto de Sagitário); Vénus e Júpiter conjuntos em Touro (alegria, optimismo e gosto pelas artes e pela natureza) e ainda Plutão (intensidade e criatividade). A sua conhecida Marcha de Pompa e Circunstância é expressão cabal destas configurações. Um ambiente radiante, dinâmico, idealista e alegre, característico de Júpiter, encontra-se nesta obra musical que constitui uma boa terapia para deprimidos, abúlicos e desencorajados.

O compositor, porventura mais representativo deste signo é L. van Beethoven. Quanto à data de nascimento e depois de consultadas algumas fontes (umas apontando o dia 16, outras o dia 17, como é o caso da autora C. Heline), fixámo-nos no estudo de James M.Harvey «Nativities, Astrological Studies», autor que para levantar temas astrológicos consultava aturadamente arquivos de nascimento cruzados, depois, com outros documentos. Segundo ele, o genial músico, nasceu em Bonn, pelas 13.30 h do dia 16-12-1770. Se levantarmos o horóscopo temos o ascendente nos 8º de Touro. O rosto obstinado do compositor, parece confirmar o seu ascendente (ainda que alguns vejam um rosto mais leonino) bem como a compleição do seu pescoço. Urano (a marca do génio) surge-nos no Ascendente, no signo taurino, artístico e amante da natureza (ouça-se, por exemplo, a Sinfonia Pastoral), em sextil com Plutão exactamente em conjunção com o M.C. Muito perto deste estão Vénus e Júpiter, um de cada lado. Por sua vez, Urano está em quadratura com Saturno (em Leão) um aspecto propício para passar do velho (Saturno) para o novo (Urano). A surdez física do compositor (não a interior e musical, que genialmente sempre manteve) também se relaciona com o signo ascendente (Touro rege os ouvidos) e a 6ª casa ocupada por Balança com o mesmo regente (Vénus) em Capricórnio, regido por Saturno, o planeta do endurecimento dos tecidos, sendo que este último planeta está em quadratura com Urano no ascendente. Mais: o regente da 12ª casa (ocupada por Carneiro) é Marte que está em Gémeos em oposição a Mercúrio que rege os sentidos de um modo geral.

 Repare-se, Plutão é fatídico, tremendo, misterioso, transformador, e está no signo Capricórnio (o mais cármico) na 10ª casa, regido por Saturno. O compositor teve uma má relação com o pai que era alcoólico. Plutão está relacionado com este tipo de situações. No entanto, aqui o carma/missão poderá ser a de um enviado para lutar com formas velhas e instaladas, alguém que luta pelas grandes causas humanitárias – Capricórnio é o pináculo do horóscopo. Beethoven sempre sentiu uma força maior dentro de si, a dor do destino tão pungente nele. C. Heline diz que Beethoven tinha plena consciência da sua missão e que, para tal, deveria viver sozinho. Vejamos: se Touro está no ascendente, a 7ª casa (casamento) é ocupada por Escorpião cujo regente Plutão, como já vimos, está em conjunção exacta no M.C. – um destino maior. O facto de Plutão só ter sido descoberto na terceira década do século XX, não significa que ele, antes, não tenha tido influência em egos adiantados. A revolução francesa não terá sido das primeiras manifestações de Urano? Beethoven, também um uraniano, está na cena da Revolução francesa, sobretudo pela consciência de individualidade e da posição do artista na sociedade.

Outro dado: o compositor tinha Marte, Saturno, Urano e Neptuno retrógrados, o que vem dar razão ao ponto de vista da corrente astrológica liderada por Dane Rudhyar, entre outros, que dá uma nova e feliz perspectiva da retrogradação. O tema de Beethoven merece um estudo profundo, mas vejamos só mais isto: Sol, Lua e Mercúrio conjuntos em Sagitário, os três opostos a Marte em Gémeos. Veja-se o sentido da ideia implícito na sua música, a TENSÃO e ENERGIA deste aspecto, o que, por si só, daria uma marca fogosa à sua música. C. Heline (cuja obra Beethoven’s Nine Symphonies se recomenda para um estudo profundo do significado das 9 sinfonias) diz-nos que «o tom e a cor beethovianas são um azul-púrpura profundo e que o propósito da sua música é ajudar o desenvolvimento da consciência cósmica (pág. 72 The Cosmic Harp). Também Hal A. Lingerman em As Energias Curativas da Música (editora Cultrix) nos diz na página 129 que «Beethoven é o primeiro psicólogo musical a explorar a psique dos sofrimentos da espécie humana, ajudando a humanidade a crescer» ... por uma música «às vezes irada outras vezes calma». Nestas palavras e pelo que já dissemos, poderemos deduzir que a sua música antecipa, artisticamente, o que Carl Jung vem mais tarde a fazer como psicólogo-cientista com a chamada psicologia do inconsciente ou das profundidades, e agora tomou forma no que de melhor há na psicanálise. Conclui o autor que «a música de Beethoven expande os relacionamentos [Júpiter, Sagitário e o planeta Vénus elevado] e desperta sentimentos de fraternidade [Urano no ascendente]».

Para finalizar, diremos que a música deste compositor se presta a produzir estados de espírito um tanto diversos. Se pretendemos meditar ou adquirir sensações calmas e bucólicas, poderemos ouvir a 6º Sinfonia (Pastoral), a Sonata ao Luar, ou as Romanzas; sobre ânimo e sentido de poder, a 3ª Sinfonia (Heróica); sobre questões do destino, talvez a 5ª Sinfonia, sobre os mais elevados ideais de fraternidade, a 9ª Sinfonia (Coral). Um ponto importante é procurarmos não só a nossa afinidade com o compositor (quanto mais universal, mais simpatia provoca), mas também com uma obra particular do mesmo compositor e sobretudo se ela está no tom do ascendente de cada um, por razões ENERGÉTICAS. Exemplo: a 3ª Sinfonia está escrita no tom de MI BEMOL Maior - com mais impacto energético nas pessoas de ACENDENTE TOURO. Mas atenção: não só o tom; também a natureza da música, pois a música é concepção do espírito, ou seja, se uma pessoa está deprimida, uma música mais viva e rápida poderá ser mais apropriada, sobretudo se tem tendência para a inactividade ou vasoconstrição. Uma música jupiteriana será, em princípio, vasodilatadora, por analogia com a função física do planeta que tende a dilatar, doutro modo, impressiona o ser para o convívio, visão ampla e optimista.

Dado que estamos a entrar na quadra de Natal, uma última palavra para dizer que praticamente todas as músicas desta época respaldam características tanto de Sagitário (religiosidade, ascensão) como de Júpiter (devoção e cerimonial).

    

Eduardo Aroso
Sagitário
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Sagitário
Centro Rosacruz Max Heindel
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