Música e Meditação Solar:
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O signo Capricórnio «o décimo a contar do signo Carneiro e o mais elevado do Zodíaco, encontra-se em concordância com o simbolismo do zénite, o meio-dia, o ponto mais alto atingido pelo Sol na sua marcha diurna. No ciclo anual, reina no final de Dezembro a Janeiro, entrada do Inverno (hemisfério norte). Daí decorre um simbolismo: simultaneamente o de uma contracção e o de um desvio. Capricórnio é o signo do poder sagrado, do brâmane, da casta mais elevada, a mais próxima de Deus, segundo a terminologia hindu, encontrando-se esse poder sagrado na origem de todos os poderes temporais, pela sanção e legitimidade que lhes confere». Este conceito do astrólogo e estudioso da Tradição Hàdes, em Os Mistérios do Zodíaco permite-nos deduzir o que se passa mais objectivamente na tradição ocidental e cristã. O conceito de casta, a de brâmane ou qualquer outra, no cristianismo é substituído não por uma hierarquia eclesial, mas pela ascese e merecimento pessoal (iniciação), a responsabilidade individual do aspirante. Assim, a imagem da montanha é atribuída ao signo Capricórnio – o esforço, lento quase sempre, da subida, persistência, humildade e o anseio pela elevação. Daí que a expressão de Hadès uma contracção e um desvio significar que, ao mesmo tempo, neste signo os bens materiais devem ceder, na subida, ao gosto pelos espirituais, já que mais alto mais perto do céu, mais livre de movimentos terrenos. É claro que se o peregrino persiste em subir no anseio de bens materiais, encontrará talvez um cume de outro tipo . Poderá ser um bom administrador (este signo é muito ligado à economia e às finanças), mas a sua natureza ficará desequilibrada: será um materialista, austero e racionalista. Hadès acentua aquilo que está tão esquecido no mundo actual, o verdadeiro conceito de poder temporal como consequência desse poder sagrado, só atribuído a quem sobe às alturas do merecimento. Esta ideia levar-nos-ia também a Melquideseque, Rei e Sacerdote do mundo. Leia-se ainda o artigo de Alexandre D. Oliveira Passos Akhenaton – o Faraó do Sol.
A filosofia rosacruz diz-nos que Capricórnio é o signo dos Salvadores. Só quem subiu aos cumes da espiritualidade, tendo percorrido o difícil trajecto da montanha, está em condições de indicar o caminho a outros que hão-de subir. Este parece o ponto fundamental, mais do que dizer-se na «noite mais escura do ano» já que no hemisfério sul isso não é verdade, pois é Verão. Todavia, a expressão é válida se a entendermos como aquela outra de S. Juan de la Cruz quando fala na «noite escura da alma». Pois que os joelhos (símbolo da humildade) são regidos por este signo, C. Heline faz-nos o apelo para meditarmos na frase de S. Paulo da Epístola aos Gálatas 4:19 «Que o Cristo seja formado em vós». A sentença exorta-nos à humildade paciente, à fé e ao labor, para tecer o corpo-alma na íngreme subida da montanha - realização plena de Capricórnio.
À semelhança do que fizemos para outros signos, mais palavras-chave podemos acrescentar, no sentido de que elas possam ajudar a criar a atmosfera emocional, mental e espiritual própria de Capricórnio: ambição, antigo, árduo, austero, autodomínio, autoridade, azedume, cautela, circunspecção, concretização, conservar, convencional, cume, dignidade, elevação, eminente, espólio, estabilidade, estatura, executar, fado, fim, honra, ilustre, insensibilidade, instituição, introversão, linhagem, louvor, maduro, mérito, meta, monumental, morte, obra, oficial, organizar, ossos, pai, patrão, patriarca, pele, persistente, pináculo, política, ponderar, prémio, prestígio, pretensão, rectidão, relíquia, reputação, responsabilidade, seco, sereno, silencioso, solene, superior, taciturno, tempo, tradição, tributo, urna, vertical, via e zénite (Paulo Cardoso).
Sendo certo que toda a Divindade permeia qualquer signo, também é verdade que, quanto à manifestação, a música se expressa mais em certos signos e pela vibração de certos planetas – muito particularmente por Neptuno e o signo Peixes e ainda por Aquário e Urano (este no que tange a inovações) enquanto que a vibração de Júpiter participa em qualquer cerimonial artístico como coadjutora eficaz. No trabalho que estamos a fazer, de entre cerca de 200 compositores da chamada “música clássica” uma percentagem muito significa (informação mais precisa será dada futuramente) de compositores nasceu quando o Sol transitava o signo de Peixes cujo regente é Neptuno. Em contrapartida, do citado número de 200 compositores, apenas 6 a 10 nasceram com o Sol em Capricórnio. Isto confirma o que diz a tradição astrológica sobre o assunto.
Corinne Heline cita G. Puccini (1858-1924), cuja música «é excelente para estimulação, retrospecção e recapitulação mentais – constituindo esplêndidos exercícios para o treino da memória». Diz também que «pela audição da ária One fine day de Madam Butterfly, podemos sintonizar-nos fácil e rapidamente com os reinos superiores». Dado que a nota-chave musical de Capricórnio é Sol Maior, acrescenta ainda uma informação interessante: «A Hierarquia de Balança deu ao homem o germe inicial do corpo de desejos. A Hierarquia de Capricórnio trabalha para ajudar a aperfeiçoar esse veículo. Assim, os nativos de Capricórnio colhem muito benefício e inspiração de composições musicais escritas no tom de Ré Maior (Balança) e Sol Maior (Capricórnio). Resumindo: estas audições a qualquer um ajudam na meditação sobre a natureza interna do signo como facilitam um trabalho mais eficaz sobre a natureza de desejos, sobretudo se introduzirmos a oração, além de, obviamente, contribuir para uma educação estética.
Outro grande compositor deste signo é Alexandre Scriabine (1872-1915), nascido a 6 de Janeiro. Este músico subiu de facto a uma montanha na concepção da sua obra, escrevendo, entre outros, Poema do Êxtase (op.54). François-René Tranchefort no monumental livro Guia da Música Sinfónica (ed. gradiva), diz do Poema do Êxtase: «é uma obra-prima pela sua riqueza temática e harmónica, pela originalidade da sua forma [sublinhado nosso, pois Capricórnio e Saturno regem todas as formas] e da sua factura e pela prodigiosa carga de energia que o anima». Em Prometeu, Scriabine «tentou pôr em prática a sua teoria da síntese das artes adicionando à partitura musical um “órgão de luzes” (que não existia!) em que cada tecla acendia uma luz cuja cor deveria corresponder às harmonias e aos timbres musicais. Este, no entanto, nunca chegou a entrar em uso, apesar de alguns ensaios». Diremos nós que apesar desta altura a que chegou o compositor, o mundo ainda não estava preparado para tal façanha que, tudo indica, se fará, com mais recursos, já neste átrio da Época de Aquário. É muito curioso o que o crítico musical diz ainda do compositor: «Como acontece muitas vezes em Scriabine, a subida de intensidade faz-se por patamares, cortados por episódios de repouso, de diversão, em que as forças parecem reconstituir-se». Se é permitido utilizar a nossa imaginação, não é difícil ver esta alma de artista, capricorniano, subir a montanha da vida por espirais (patamares) cada vez mais altos e, claro está, fazendo paragens (episódios de repouso e diversão) para continuar.
Do mesmo modo que M. Heindel aconselha a meditar sobre as palavras-chave relativas aos planetas, isto é aos próprios planetas enquanto Grandes Seres (extraindo conhecimento com muita mais eficácia do que ler em livros, segundo o referido autor), também podemos utilizar o mesmo processo para os signos zodiacais na sua relação com a música, pois esta preside aos arquétipos criadores.
Refira-se que a meditação será mais eficaz se realizada (no caso de Capricórnio) num Sábado, dia da semana regido por Saturno, ou numa hora de Saturno, em qualquer dia, sendo necessário, para isso, possuir uma tabela de horas planetárias. Este programa RF-PopHR está disponível na página da Sede Central. É muito fácil a sua utilização. Apenas há que introduzir a longitude e latitude do local onde a pessoa vive, para ter o correcto nascer e pôr-do-sol.
Eduardo Aroso
Capricórnio
Capricórnio
Centro Rosacruz Max Heindel