Quando li, pela primeira vez, o Conceito Rosacruz do Cosmos uma das inúmeras perguntas que
surgiram no meu espírito foi a de quanto tempo duraria a Evolução, um Período, uma Revolução, ou, pelo menos, uma Época; fui incapaz
de imaginar o que quer que fosse que, de alguma forma, se pudesse assemelhar a uma resposta.
Porém, algum tempo depois chegou às minhas mãos uma pequena história da Terra e verifiquei, com surpresa
e muito agrado, que a descrição das sucessivas fases geológicas por que o nosso planeta passou, apresentava alguns pontos comuns com
o relato rosacruciano das últimas épocas, pelo que talvez valesse a pena tentar calcular a duração das mesmas. Foi, pois,
com entusiasmo que fiz um pequeno estudo comparativo da História da Terra e da Evolução do Homem no Globo D, publicado na Amizade
RosacrucianaI, 1ª série, há já alguns anos. Os avanços da Ciência, nomeadamente da Astronomia e da Paleantropologia, e novas perspectivas
abertas pelo prosseguimento do estudo dos Ensinamentos Rosacrucianos, levaram a que esse estudo tivesse de ser revisto por duas vezes;
a primeira foi publicada há pouco tempo na Amizade Rosacruciana, 2ª série, e a segunda constitui a presente página.
Seguindo a mesma linha de pensamento, começo por apresentar, de forma resumida, os pontos principais da História Geológica da Terra, para, seguidamente, os comparar com os Ensinamentos Rosacrucianos que Max Heindel nos transmitiu. Penso
que os pontos que não são coincidentes não comprometem a globalidade das conclusões a que pude chegar, aliás com imensa satisfação
por ver muitos destes ensinamentos confirmados pela Ciência oficial, o que é sempre um argumento de peso a esgrimir contra os mais
cépticos sobre as nossas verdades.
Os dados em que me baseei são os seguintes:
1. Científicos:
· A idade do Universo é da ordem dos 15.000 milhões de anos.
· O Sistema
Solar tem 5.000 milhões de anos.
· A Terra tem 4.500 milhões
de anos e terminará a sua existência dentro de 4.000 milhões de anos.
A designação e duração
dos eons[i][1], eras, períodos e épocas que reúnem maior consenso são os constantes do Quadro I, onde se indica, para além do
seu tempo real, o tempo relativo segundo o chamado calendário cósmico, uma escala em que os 4.500 milhões de anos são reduzidos
ao espaço de um ano, o que permite uma melhor avaliação dos espaços temporais.
2. Rosacrucianos:
· A Época Polar e a primeira parte da Hiperbórea situam-se antes do Eon Arcaico, quando a Terra ainda se encontrava integrada
no Sol.
PARTE I
BREVE HISTÓRIA GEOLÓGICA DA TERRA
Há uns 5.000 milhões de anos, a provável explosão de uma supernova terá provocado
a fragmentação e o colapso gravitacional de uma fracção de um braço, em espiral, da Via Láctea, dando origem a uma nuvem interestelar
de gás e poeira cósmica, composta por dois terços de hidrogénio e um terço de hélio e outros elementos em pequenas proporções. Esta
nuvem começou a fundir-se e a condensar-se até dar origem a um imenso proto-sol central, que foi atraindo partículas sólidas
das proximidades, os planetesimais.
A descoberta de várias estrelas cercadas por um disco estreito de gás
e matéria protoplanetária, girando em torno de si, uma das quais com um satélite, conduziu à teoria actualmente mais consensual
sobre a formação dos planetas.
Segundo esta teoria, os satélite gigantes não poderiam formar-se muito próximo
do seu sol; acontece, porém, que se têm descoberto estrelas com planetas gigantes junto de si, como se têm descoberto planetas isolados,
sem estrela de referência, e até planetas que foram “expulsos” dos seus sistemas solares de origem, caso, por exemplo, do TMR-1C,
com uma massa tripla da de Júpiter, e originário de um sistema solar binário situado em Touro[ii][2]. Até agora já foram descobertos
mais de meia centena de planetas extra-solares, admitindo-se que, só na nossa galáxia, o seu número atinja os 100 mil milhões.
Seja como for, o facto é que há mais de 4.500 milhões de anos, a Terra era um corpo incandescente, de dimensões
inferiores às actuais.
Os primeiros sólidos a condensarem-se foram matérias refractárias, como o titânio
e o óxido de alumínio; à medida em que a temperatura foi descendo, foram surgindo os minerais, como os sulfatos, os quais, juntando-se
a outros compostos, estiveram na origem das rochas actuais.
Quanto à Lua, a Ciência tem admitido que a sua
formação possa ter sido semelhante à da Terra e que foi posteriormente capturada por esta. Uma outra hipótese, já relativamente antiga,
é a da Lua ser um fragmento do nosso planeta que se desprendeu devido à colisão com um corpo de grandes dimensões, uma vez que os
sólidos que pairavam no Espaço iam chocando uns contra os outros e contra os planetas; esta hipótese ganhou, recentemente, maior consistência
quando se verificou que a densidade da Lua é a mesma das rochas que formam o manto superior da Terra, logo abaixo da sua crusta, pelo
que a sua expulsão terá acontecido durante a juventude da Terra.
Em qualquer dos casos, o processo de formação
da Terra e da Lua terá findado há 4.500 milhões de anos e, com ele, o Eon Priscoano cujo início remonta ao do próprio Universo, ou
seja, há uns 15 mil milhões de anos.
O Eon Arcaico
Alguns cientistas dividem esteeon em três eras de duração igual, Primitiva, Média e Tardia, mas sem significado para este estudo.
No início deste eon, a Terra era um corpo com um volume idêntico ao actual e uma temperatura da ordem dos 4.000 graus centígrados.
O seu lento e gradual arrefecimento fez com que o gás se liquidificasse, que a primitiva crosta de minerais
de silício cedesse, nos pontos mais frágeis, ao aumento da pressão interna proveniente do núcleo, e que abrisse fendas. Estes fenómenos
deram origem a uma intensa actividade vulcânica de que resultou a formação de rios de lava que corriam por entre as primeiras
regiões sólidas de basalto e rochas metamórficas, cuja espessura atingiu, em alguns milhares de anos, um quilómetro.
A temperatura caiu para os 1.500 graus e a seguir para os 700, após o que o arrefecimento passou a ser mais lento.
Há 3.700 milhões de anos, os gases provenientes da actividade vulcânica ficaram colados à Terra e deram origem a uma massa com uma
determinada gravidade que atraiu as moléculas de gases mais pesados. Por isso, o planeta perdeu quase todo o hidrogénio e hélio, mas
conquistou moléculas de azoto, oxigénio, vapor de água e dióxido de carbono que formaram a atmosfera.
Há 3.600
milhões de anos, a actividade vulcânica diminuiu e a camada exterior do nosso globo arrefeceu consideravelmente, o que permitiu a
condensação do vapor de água e, consequentemente, originou a chuva que durante 100 milhões de anos caiu sobre a Terra sem cessar,
tendo formado os oceanos. Durante este processo, parte do anidrido carbónico que tornava a atmosfera irrespirável, dissolveu-se em
água, formando carbonatos.
Há 3.500 milhões de anos a chuva parou e surgiu um composto com a capacidade de
dissociar o dióxido de carbono, libertando energia que depois utilizou, com o restante carbono, para produzir moléculas orgânicas.
Os seres vivos, porém, só iriam surgir muito mais tarde.
Entretanto, o nosso planeta ia seguindo uma
órbita solar diferente da actual.
O Eon Proterozóico
Esteeon também aparece, por vezes, dividido em três eras de semelhante duração, Paleoproterozóica, Mesoproterozóica e Neoproterozóica,
igualmente sem significado para este estudo.Há 2.500 milhões de anos, com a descida da temperatura, que ainda ficou muito acima da
actual, parte da crosta terrestre foi reconstituída, tendo-se formado as primeiras montanhas ao longo das extremidades
sólidas e iniciado um processo de tectónica das placas algo diferente do actual.
As moléculas orgânicas surgidas
durante o Eon Arcaico foram-se desenvolvendo até que há 1.600 milhões de anos apareceram os eucariotes, os primeiros organismos com
núcleos celulares distintos, antecessores das plantas terrestres; quanto aos primeiros animais, como o metazoa, a esponja, a
actínea, corais moles, etc, só há 640 milhões de anos é que terão surgido. A vida era, contudo, exclusivamente aquática.
Há cerca de 570 milhões de anos deu-se uma subida generalizada do nível das águas dos mares e
a consequente inundação das massas continentais, o que provocou a extinção de um grande número de formas de vida. A Ciência desconhece as causas deste fenómeno.
Eon Fanerozóico
Fanerozóico significa vida
visível, manifestada, pelo que este eon, que começou há 570 milhões de anos, é o actual. Vou percorre-lo através das suas subdivisões.
A
ERA PALEOZÓICA
A partir do início do Câmbrico houve uma rápida proliferação de uma grande variedade
de seres vivos, hoje extintos[iii][3], alguns dos quais apresentavam já partes do corpo mineralizadas; a estes seguiram-se os primeiros
invertebrados, como as trilobites, os fosseis característicos desde período
A vida, porém, ainda não conseguira
sair das águas. As plantas apresentavam caules gigantescos que emergiam das águas saturadas de musgos, algas e fungos formando florestas
verdes e luxuriantes.
Durante o Ordovínico apareceram os insectos e os primeiros vertebrados, os agnatas,
semelhantes a peixes mas destituídos de mandíbulas; porém, houve que esperar 15 milhões de anos para que a transição dos peixes
para os anfíbios fosse possível. Foi, também, a partir do início do Câmbrico que as múltiplas colisões das placas sólidas da superfície,
deram origem a duas enormes massas continentais que se foram desenvolvendo ao longo de milhões de anos até originarem um continente
único, a Pangea I, o qual, alguns milhões de anos mais tarde, se fragmentou e depois estabilizou, dando origem à Pangea II.
Entretanto,
a atmosfera da Terra era extremamente densa, com o Sol encoberto por enormes massas nebulosas e a superfície varrida
por violentas tempestades, o que fazia com que o planeta se assemelhasse a uma espécie de globo ardente.
No final do Paleozóico,
portanto há 290 milhões de anos, verificou-se a primeira catástrofe planetária, a maior extinção em massa de sempre, na qual
desapareceram 90% das espécies vegetais e animais, terrestres e marítimas; a Ciência desconhece as suas causas e como não se encontram
vestígios de um possível impacte, alguns geólogos admitem que a mesma haja sido provocada por um súbito arrefecimento do planeta.
A
ERA MESOZÓICA
Durante esta era apareceram os famosos dinossauros, cujos registos mais antigos,
com cerca de 250 milhões de anos, pertencem ao Triássico inicial. Mais ou menos na mesma altura, fizeram, também, a sua aparição os
primeiros mamíferos genuínos. Há uns 140 ou 150 milhões de anos, as aves começaram a voar e os vegetais a sair das águas, caso
das cicáceas, coníferas, palmeiras e florestas de fetos gigantes, enquanto pela superfície dos mares proliferava o plâncton.Perto
do final do Mesozóico, a Pangea II voltou a cindir-se e deu origem à Laurásia e à Gondwana, entre as quais se formou oOceano de Tétis; a Índia, porém, era ainda uma ilha a sul do Equador, em deslocação para norte, a América do Sul outra imensa ilha,
e a Austrália estava ligada à Antárctica, da qual se iria separar apenas no início do Cenozóico.
Entretanto,
ao longo de 600 milhões de anos, o nível das águas do mar variou em mais de 200 metros.No final desta era, há 65 milhões de anos,
uma segunda catástrofe abateu-se sobre a Terra, não tão grave como a anterior, mas cujos efeitos perduraram muito mais tempo
e da qual resultou a extinção de um grande número de espécies vegetais e animais, caso dos dinossauros, por exemplo.
Embora as causas não estejam perfeitamente determinadas, os geólogos admitem que haja sido o resultado do impacte de um grande
corpo celeste que terá atingido Chicxulub, no Iucatão, México, e que provocou incêndios generalizados e devastadores tsunamis que
poderão ter atingido vários quilómetros de altura!
O Período Terciário
Embora
as tartarugas e os crocodilos tenham sobrevivido a esta catástrofe e atingido o Cenozóico, foram os mamíferos que marcaram esta era.
Durante o Eocénico apareceu e desenvolveu-se o antecessor do elefante, o Mœritherium, bem como o rinoceronte, o tapir e a baleia, a que se juntaram as aves, enquanto o reino vegetal ia conquistando a terra e enriquecendo-se com flores e relva.No Oligocénico
apareceram as primeiras famílias de cães e gatos, e no Miocénico os marsupiais e os primeiros primatas.
Entretanto
o clima alterou-se, passando os invernos a serem rigorosos e os verões curtos e ardentes. Também a orografia da Terra se foi modificando,
tendo-se formado as altas e compridas cordilheiras dos Andes, Montanhas Rochosas, Pirinéus, Alpes, Cáucaso e Himalaias.Mas houve neste
período um facto extremamente interessante que cumpre realçar, já que se prende com os propósitos deste estudo.
Diz-nos H. G. Wells que "todos os mamíferos mesozóicos estavam, ao mesmo tempo, sob a pressão da necessidade, a desenvolver
os cérebros. Era um avanço colectivo e simultâneo. Na mesma ordem ou família, o cérebro é, hoje, ordinariamente seis ou dez vezes
maior do que no ancestral eocénico …" [iv][4].
Talvez por isso, nos princípios do Pliocénico, há 4.800.000
anos, surgiram os primeiros macacos antropomorfos a que, alguns milhares de anos depois, se seguiram os hominídeos.
O
hominídeo
Por hominídeo, a Ciência entende uma espécie da família humana que viveu desde o último antecessor comum ao
homem e ao símio [v][5].
No Quénia, em 2001, foram descobertos fosseis de um
bípede, com quase 6 milhões de anos, mais velho, portanto, do que a sua conterrânea, a famosa Lucy. Assim, uma mandíbula com dentes,
parte de uma clavícula, fragmentos de um braço e um osso de um dedo do pé, talvez sejam os mais antigos vestígios de um hominídeo,
cujo estudo e classificação continuam em curso. Mais recentes e descobertos na Etiópia, são também uns dentes, fragmentos de mandíbula
e partes de esqueleto, com 4.400.000 anos, que pertenceram a um pobre bípede com 1,25 m de altura, denominado Ardipithecus
ramidus que a Ciência ainda hesita em considerar um antecessor do homem.Os primeiros fósseis que se aceita estarem nestas condições,
foram descobertos no Quénia e pertencem ao Australopithecus anamensis, que surgiu há 4,2 milhões de anos e desapareceu 900 mil anos
depois. Era uma criatura pequena, bípede, com um crânio muito semelhante ao dos antigos símios; os machos teriam 1 metro e meio de
altura e pesariam pouco mais de 60 quilos; as fêmeas tinham entre 90 centímetros e 1 metro e vinte, e não excederiam os 32 quilos.
A linha de ancestralidade do homem prossegue com variadas espécies de hominídeos, cuja classificação apresenta, por vezes, algumas
alterações conforme a escola de paleantropologia que as tem estudado. Para os fins que tenho em vista, basta-me referir, muito sumariamente,
o Australopithecus afarensis, a que pertenceu a famosa Lucy, com uma idade próxima dos 3 milhões de anos, e cujos vestígios foram
encontrados em Hadar, Etiópia, em 1974, o Australopithecus africanus, o Australopithecus æthiopicus, um ser que apresentava
na cabeça como que uma crista em forma de seta, uma formação óssea que ligava a fronte à base da nuca, a que se seguiu o último australopithecus,
o robustus, com a mesma crista, mas mais corpulento.
O aparecimento, há 2,2 milhões de anos, do Australopithecus
robustus coincidiu com o do primeiro homem primitivo, o Homo habilis, assim denominado por ter sido o primeiro a servir-se de diversos
utensílios feitos de pedra lascada ou de ossos, nomeadamente o machado de pedra; utilizou o fogo para afastar feras, aquecer-se e
cozinhar alimentos; foi o primeiro hominídeo capaz de falar. 200 mil anos depois surgiu o Homo erectus, assim designado em virtude
da sua postura ser tão vertical quanto a de hoje.
Foi o primeiro viajante: deixou a África e foi até à China,
ao Sudeste Asiático e chegou à ilha de Java. Seguiu-se-lhe o Homo ergaster, ou Homem trabalhador, que terá sido uma subespécie do Homo
erectus. Ambos viveram nas zonas temperadas da Europa e da Ásia; os vestígios de um ou de outro encontrados em Zhoukoudian
ficaram conhecidos como Homem de Pequim, e os encontrados na ilha de Java como Homem de Java.
O Período Quaternário
Há cerca de 1,7 milhões de anos, a órbita da Terra tornou-se mais elíptica devido à acção dos planetas exteriores, e o eixo
de rotação inclinou-se mais sobre o plano equatorial. Este fenómeno causou, naturalmente, grandes alterações na superfície do globo,
uma das quais terá sido o desaparecimento de vastas áreas terrestres entre os continentes americano e europeu e a sua substituição
por outras de diferente configuração.O clima também se modificou; desde há cerca de 950 milhões de anos que a Terra vem conhecendo
sucessivas glaciações, a última das quais terá começado há uns 120.000 anos e terminado há, somente, 14.000 anos, mas cujos efeitos
se fazem ainda sentir.
Assim, no início do Pleistocénico parte do hemisfério norte estava coberto por lençóis de
gelo que obrigavam as numerosas manadas de mamutes, bois almiscarados e rinocerontes peludos a procurarem pradarias menos afectadas
para poderem pastar tranquilamente, enquanto nas paragens mais quentes do sul, tigres dentes-de-sabre e leões caçavam antílopes e
mastodontes, mas evitavam, prudentemente, os grandes elefantes que viviam em todos os continentes, excepto na Austrália e na
Antárctica.Porém, o aspecto mais importante deste período foi, sem dúvida, o desenvolvimento do homem.Há cerca de 1 milhão e
meio de anos, o Homo erectus aprendeu a dominar o fogo.
É certo que já o utilizava para se iluminar, aquecer,
proteger dos animais ferozes e cozinhar; mas desde então passou a utilizá-lo para trabalhar a pedra, alterar as cores dos pigmentos
minerais, cozer o barro, etc [vi][6].
Há cerca de 600.000 anos evoluiu o suficiente para dar origem a uma nova espécie, o Homo heidelbergensis [vii][7],
uma criatura que se espalhou pela Europa, África e China. Tinha um crânio que atingia entre 1.200 e 1.300 cc, uma face menos
projectada para a frente, sobrolho menor, molares mais pequenos e um nariz mais saliente; o corpo era forte e peludo e os braços compridos.
Dotado de grande força muscular, tinha uma estranha expressão no olhar que lhe conferia um aspecto que teria muito pouco de humano.
Há 300.000 anos evoluiu para o Homo sapiens neandertalensis[viii][8], cujos vestígios mais antigos remontam há 200.000 anos, pelo menos, e os mais modernos há cerca de 30.000 anos; porém, o Homo neanderthal é um enigma.
Depois de ter sido considerado
antecessor do Homo sapiens sapiens, o estudo do DNA deitou por terra esta teoria. O Homo neandertaensis terá vindo do norte da Europa
e foi contemporâneo do Homo heidelbergensis e do primeiro Homo sapiens sapiens. Apesar do seu crânio ter um volume de 1.450
O Homo neandertalensis foi o primeiro hominídeo a enterrar os mortos, fazendo acompanhar os corpos de instrumentos de pedra,
ossos e até de flores, como se deduz dos vestígios encontrados na gruta de Shanidar, no Iraque. Outra prática interessante, mas talvez
ocasional, terá sido a cremação dos cadáveres; a mais antiga terá tido lugar há 26.000 anos, junto do Lago Mungo, na Austrália.
Os mais antigos vestígios de um verdadeiro homem, foram encontrados em 1868, na gruta de Cro-Magnon,
na Dordogne, França, pelo que receberam a designação de Cro-Magnon, ainda hoje ocasionalmente usada em vez da mais científica Homo
sapiens sapiens. Estes vestígios datam de há 200 mil anos, o mesmo de outros encontrados, mais tarde, em África e no Médio Oriente.Um
dos livros que consultei traz uma nota extremamente curiosa. "Deve-se notar (…) que a [raça] do Cromagnon era para os antigos originária
da Atlântida e, por isso, chamada pelos mesmos raça dos Atlantes ou Atarantes …" [ix][9]
O Homo sapiens sapiensera mais forte do que o homem actual; tinha um crânio arredondado, a fronte alta e desenvolvida, o sobrolho mais pequeno e um queixo
bem definido; era alto, vestia roupas adaptadas ao seu corpo e já usava ornamentos feitos de conchas ou ossos. Os cientistas admitem
que jamais se uniu ao Homo neandertalensis, que expulsou das cavernas; ao invés do habitual comportamento dos conquistadores, o machosapiens sapiens desprezou a fêmea neandertalensis, talvez devido à sua ferocidade ou fealdade.Era um caçador; usava arco e flechas
e fazia-se acompanhar de animais domesticados.
Era, também, um agricultor e um artista, capaz,
não só de fabricar diversos instrumentos de grande utilidade, a partir de materiais como a pedra, o osso e o marfim, como também de
decorar as paredes das cavernas onde se abrigava.De facto, a arte fez a sua aparição há 35.000 anos, com as pinturas rupestres de
grutas em França e Espanha, onde se destacam as de Lascaux com os seus cavalos e veados vermelhos, as famosas grutas de Altamira,
e as gravuras de Foz Côa. Há 30.000, ou 25.000 anos, um desconhecido esculpiu a famosa Vénus de Willendorf, fonte de inspiração de
outros artistas que, desde a França até à Rússia de hoje, nos deixaram estatuetas de mulheres com grandes seios e volumosas barrigas.
Há 55.000 anos o Homo sapiens sapiens fez-se ao mar, atingiu a Austrália e há 30.000 anos chegou
ao Novo Mundo.Porém, há 12.000 ou 15.000, as condições de vida foram profundamente afectadas pelo degelo dos imensos glaciares, o
que levou as águas do Atlântico a galgar as margens e a inundar vastas regiões, como o até então vale do Mediterrâneo; foi o Dilúvio
Universal da Bíblia e de outros livros religiosos, mas não foi outra catástrofe planetária.Homo sapiens sapiens era um edificador
de cidades.
Notas
[i][1] Não confundir com os Espíritos Estelares que os Gnósticos designam Eons; neste contexto, trata-se
apenas de um período de tempo.
[ii][2] “Neptuno e os seus satélites não pertencem, propriamente, ao nosso Sistema Solar”, diz Max Heindel
in The Rosicrucian Cosmo-Conception, 28th ed., Oceanside, CA, USA, The Rosicrucaina Fellowship, 1977, p. 260. Ora se há planetas expulsos,
por que não poderá haver planetas capturados? Penso que Neptuno e os seu satélites sejam corpos expulsos de um qualquer sistema
solar e que, depois de vaguearem pelo espaço, acabaram por ser capturados pelo nosso Sol.
[iii][3] Há, porém, algumas espécies vegetais
e animais que sobreviveram sem grandes alterações estruturais ou anatómicas: caranguejo-ferradura, escorpião, tubarão, o famosocelacanto do Silúrico, libélula, feto arborescente, a árvore chinesa ginkgo biloba, crocodilo, tartaruga marinha, a araucária, amonite
nautilus e o tuatara, um réptil neozelandês do Cretácio.
[iv][4] In História Universal, Primeiro Volume, trad. Anísio Teixeira, Lisboa,Edição Livros do Brasil, p. 61. H.G.Wells escreveu esta obra em 1932, altura em que as divisões e subdivisões geológicas obedeciam
a critérios diferentes dos de hoje, pelo que no actual Mesozóico não há mamíferos. A idade do crescimento cerebral deverá corresponder
ao actual Miocénico, entre 24 e 5 milhões de anos atrás.
[v][5] Designação genérica que se aplica a todos os primatas
superiores, pertencentes à subordem Anthropoidea. No entanto, este termo é, por vezes, atribuído aos primatas evolutivamente mais
próximos dos humanos: os da família Hylobatidæ (pequenos símios), em que se incluem os gibões e o siamango, e, principalmente,
os pertencentes à família Pongidæ (grandes símios), em que se incluem os orangotangos, os gorilas e os chimpanzés
[vi][6] Diz Max Heindel (The Rosicrucian Cosmo-Conception p. 304) que foi na Época Ária que o homem "veio a conhecer o uso do fogo e de outras forças" . Não me parece uma contradição, já que entre conservar o fogo e dominar o seu uso, vai uma distância suficiente grande para cobrir um período de cerca de um milhão de anos.
[vii][7] De Heidelberg, cidade da Alemanha.
[viii][8] Do vale do Neander, também
na Alemanha.
[ix][9] António Hortêncio Piedade Morais, Apontamentos para Lições de Geoistória, Preistória, Protoistória e História,
Viseu, 1932. Infelizmente, o autor não cita as suas fontes nem explicita quem eram os antigos a que se refere. O realce da palavraAtlântida é meu. Recorde-se que Max Heindel diz que, nos dias de hoje, há ainda descendentes das raças Atlantes (The Rosicrucian
Cosmo-Conception p. 292).